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Carta da Adegraf à coordenação do concurso Dataprev

Segue abaixo o texto da carta enviada hoje pela Adegraf à coordenação do concurso. Assim que houver resposta, será publicada aqui no site.


Ao Instituto Quadrix de Responsabilidade Social
Att: Sr. Fábio Simon – Coordenação de concursos

Assunto: Esclarecimentos sobre a formação de Design Gráfico (Referente ao Edital nº 01/2010 do Concurso Público 01/2010, de 18/03/2010, nos níveis Médio e Superior, para formação de Cadastro de Reserva do Quadro de Pessoal da Dataprev – Cargo de Analista de Tecnologia da Informação, Perfil 02405 ‐ Designer Gráfico)

Prezado Senhor,

Ao analisar os requisitos exigidos para o preenchimento da vaga de Designer Gráfico no Edital acima descrito, a Associação dos Designers Gráficos do Distrito Federal – ADEGRAF julga necessário esclarecer algumas questões levantadas por profissionais formados em Design Gráfico interessados em participar da referida seleção.

De acordo com o material educativo desenvolvido pela ADEGRAF (1), para receber a denominação de Designer Gráfico o profissional deve ter cursado uma faculdade de Design ou Desenho Industrial com habilitação em Programação Visual. Essa é a definição utilizada para admitir membros em nossa associação com diploma de nível superior, uma vez que a formação em ambos os cursos é praticamente a mesma, guardadas diferenças de nomenclatura e de menos de 5% de disciplinas. Isso se deve à própria história do Design no Brasil, que teve seu início no “Ensino Superior em 1963, na Escola Superior de Desenho Industrial (Esdi) um ano antes. (...) Inicialmente os cursos resumiam‐se a Comunicação Visual e Desenho Industrial, com bacharelado de 4 anos. A partir de 1987, com a reformulação do currículo mínimo, eles se transformaram em um único curso, denominado desenho industrial, com duas habilitações: Programação Visual e Projeto de Produto, mas ainda como bacharelado em 4 anos. (...) A graduação sofre uma grande reviravolta promovida pelo MEC, inicialmente com a abolição do currículo mínimo e depois com o término da dicotomia Programação Visual (ou Design Gráfico) e Projeto de Produto (ou Design de Produto). Assim nasceram as novas habilitações de design de interiores, de moda, de multimídia, e tantas quantas se fizeram necessárias. Para gerenciar esse sistema, foram criadas as comissões de ensino da Secretaria de Ensino Superior do MEC (SESu), (...) que fixou para os cursos um conjunto de exigências básicas em termos de equipamentos, estrutura física, acervo bibliográfico, projeto pedagógico e perfil acadêmico dos professores, fazendo ainda recomendações em relação a conteúdos de matérias. Mas, numa saudável demonstração de abertura, aceita que cada instituição de ensino formate seu curso, enfatizando suas especificidades em reposta às necessidades próprias do seu universo socioeconômico” (2).

A ADEGRAF reconhece que as diferentes nomenclaturas fazem parte do processo histórico da profissão e de sua inserção no ensino superior brasileiro, mas aponta que essa diferença meramente denominativa não deve ser fator de exclusão de profissionais de processos seletivos de nenhuma ordem. “O Design Gráfico é uma sub-área da programação visual que, juntamente com o projeto de produto, é uma habilitação do Design ou Desenho Industrial, atividade profissional exercida por Designers. Tal explicitação é necessária devido à pluralidade e à ambiguidade das nomenclaturas adotadas correntemente no Brasil. Muitas se equivalem e são corretas, como Design e Desenho Industrial (...). Para a comunidade acadêmica e as associações profissionais de designers, o problema foi solucionado com a adoção do termo Design.(...) No entanto, a questão ainda é problemática. O Ministério da Educação, por razões igualmente justificáveis, insiste no português Desenho para denominar o curso de nível superior” (3).

A ADEGRAF entende que, até que a Regulamentação da profissão seja finalizada e entre em vigor, as diversas denominações devem ser aceitas, desde que a grade curricular dos cursos seja semelhante. No caso em questão, isso se aplica, pois, se compararmos o curso de Desenho Industrial com Habilitação em Programação Visual oferecido pela Unb e o curso de Artes Visuais com Habilitação em Design Gráfico oferecido pela UFG, ambos reconhecidos pelo MEC, o conteúdo programático (4) é praticamente o mesmo, preparando os profissionais de ambas as universidades para exercer de forma plena a profissão. Esses exemplos foram escolhidos por se tratar de duas Instituições de Ensino Superior próximas ou que fazem parte da área de abrangência da Região de Lotação 02 do Edital, uma vez que atualmente existem 36 IES oferecendo o bacharelado em Desenho Industrial, e 32 IES o bacharelado em Design Gráfico, todas reconhecidas pelo MEC (5).

Pelo exposto, a ADEGRAF solicita ao órgão competente que considere válidas as inscrições de profissionais que se enquadrem nas denominações de Design Gráfico, Programação Visual e Artes Visuais com Habilitação em Design Gráfico, formados em cursos de bacharelado reconhecidos pelo MEC independentemente de data, e que preencham os demais requisitos solicitados no referido Edital.

Colocando-se à disposição para demais esclarecimentos, inclusive em situações futuras, agradecemos a atenção ora dispensada.

Brasília, 24 de março de 2010.

Atenciosamente,

Aline da Silva Pereira
Presidente da ADEGRAF

Claudia Pires El-moor
Conselho de Ética da ADEGRAF

___

1 Cartilha “Experimente Design Estrategicamente” – ANEXO I deste documento.
2 “Panorama do Ensino de Design Gráfico no Brasil”, de Edna Lúcia Cunha Lima e Guilherme Cunha Lima. In: O Valor do Design – Guia ADG Brasil de Prática Profissional do Designer Gráfico, 2ª edição, 2004. Ed. ADG e Senac São Paulo. – ANEXO II deste documento.
3 O que é [e o que nunca foi] design gráfico. André Villas‐Boas. Rio de Janeiro, 4ª edição, 2001. Ed. 2AB – Anexo III deste documento.
4 Ver Anexo IV – Quadro comparativo entre as disciplinas dos cursos na Unb e na UFG.
5 Informação disponível no sítio do MEC (http://www.mec.gov.br/).
___


ANEXO I
Cartilha “Experimente Design Estrategicamente”

ANEXO II
“Panorama do Ensino de Design Gráfico no Brasil”, de Edna Lúcia Cunha Lima e Guilherme Cunha Lima. In: O Valor do Design – Guia ADG Brasil de Prática Profissional do Designer Gráfico, 2ª edição, 2004. Ed. ADG e Senac São Paulo.

ANEXO III
O que é [e o que nunca foi] design gráfico. André Villas‐Boas. Rio de Janeiro, 4ª edição, 2001. Ed. 2AB

ANEXO IV
Quadro comparativo entre as disciplinas dos cursos na Unb e na UFG.


A resposta do Instituto Quadrix pode ser lida aqui: https://adegraf.blogspot.com/2010/04/

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